Ah! menina, tu doce menina já mulher,
razão de meus desatinos e devaneios,
sonhos e enlevos de noites a querer,
adormecer no acalento de teus seios.

Neste afã de te amar apanho estrelas
para o nosso leito com elas decorar,
colho arlequim e no azul sou doudelas,
roubo nuvens para teu corpo repousar.

Neste sonho, sonho que comigo estas,
entre as nuvens e estrelas ali repousas,
a divina musa, eu como "in vino veritas",
verto o meu amor ardente sem escusas.

E assim minha menina-mulher amada,
para te agradar imuto as minhas cores,
dispo o cinza sou tua água-perfumada,
visto azul sou teu camaleão furta-cores.

Ermindo Gomes Rocio


In vino veritas: no vinho, a verdade [significa que a franqueza e a sinceridade surgem da desinibição provocada pela bebida alcoólica.].
Doudelas: pessoa estouvada, extravagante ou imprudente; doidivana, pessoa gastadora.
Arlequim: opala de várias cores
Imuto: sofrer mutação; mudar, alterar(-se), transformar(-se), transmutar(-se).






ERMINDO GOMES ROCIO - VOLTAR