Olhando a cidade vejo luzes e sob elas,
Descortina-se uma multidão de almas.
Umas caminham com vaidade, calmas,
outras se arrastam nas imundas ruelas.

Braços estendidos,
dança de pedidos,
as sombras se agitam,
para as luzes se inclinam
elas imploram migalhas.

Elas só querem isto,
migalhas de pão ou alguém que sorria,
para vencerem maltrapilhas na vida,
mais uma noite, longa, triste e fria.
Sombras, ou sobras de existência?

Tristes mendigos que somente querem,
do oceano ínfimo pingo de amor ou caridade,
que nenhuma falta lhes fazem.
Sombras, ou retalhos da vida?

Tristes corpos que nesta existência,
rejeitados por todos, mãos estendidas
um pouco de amor esmolam.

Sombras, ou irmãos em resgate?
Tristes rostos que só estampam desgostos,
que na vida só se iluminam quando
passa na rua veloz, um conversível.

Aí, me pego a pensar:
Não será  a verdadeira sombra
quem passa ligeiro
e insensível diante de tanto infortúnio?

Serão estas sombras um infortúnio
ou oportunidade  que Deus nos dá
de praticar  o maior de seus ensinamentos:
Fora da caridade não há salvação...

Ermindo Gomes Rocio
 
 

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